
As contas públicas brasileiras encerraram 2025 com um déficit de R$ 55 bilhões, resultado do descompasso entre gastos e arrecadação ao longo do ano. O governo central gastou mais do que arrecadou, registrando rombo de R$ 58 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram déficit de R$ 5,9 bilhões. Apenas estados e municípios fecharam o ano no azul.
O desempenho das estatais federais foi o segundo pior da série histórica do Banco Central, iniciada em 2002. Economistas apontam que o resultado foi fortemente influenciado pela crise financeira dos Correios, que acumularam prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro. O balanço final da estatal ainda não foi divulgado.
Como parte do plano de reestruturação, os Correios vão reabrir, na próxima semana, as inscrições para um plano de desligamento voluntário, que prevê a saída de até 15 mil funcionários até 2027. No fim de 2025, a empresa também contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, para recompor o caixa e renegociar dívidas.
A sequência de déficits tem impulsionado a dívida pública, que em 2025 chegou a 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a cerca de R$ 10 trilhões. Em 2008, início da atual metodologia do Banco Central, a dívida representava 56% do PIB. Projeções oficiais indicam que o índice pode alcançar 88,6% do PIB até 2032.
Apesar da adoção do arcabouço fiscal, em vigor desde 2024, economistas avaliam que a regra não tem sido suficiente para conter o avanço da dívida. Especialistas defendem a necessidade de uma reforma estrutural, com medidas efetivas de corte de gastos, e alertam que o foco excessivo no aumento de impostos pode comprometer o crescimento econômico no longo prazo.