Parlamentares de Mato Grosso criticam decisão presidencial no aniversário de três anos dos atos de 8 de Janeiro e defendem derrubada do veto no Congresso
Parlamentares mato-grossenses ligados a partidos de direita criticaram o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quinta-feira (8), ao Projeto de Lei da Dosimetria, que previa a redução de penas para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro. Para os críticos, a escolha da data — que marca três anos dos episódios — foi interpretada como um gesto simbólico e provocativo. O texto havia sido aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal e aguardava sanção presidencial desde o ano passado.
O deputado federal Coronel Assis (União Brasil) divulgou vídeo nas redes sociais rechaçando o veto integral ao projeto. Segundo ele, a decisão ignora a vontade popular expressa pelo Congresso Nacional e reforça um cenário de perseguição política.
“Ele não vetou em qualquer dia, vetou hoje, exatos três anos após o que ele chama de tentativa de golpe. Uma armadilha para criminalizar qualquer oposição a essa tirania posta no país. Escolher essa data para vetar um projeto que buscava equilíbrio e razoabilidade é uma declaração de guerra contra quem ousar discordar”, afirmou.
A deputada federal Coronel Fernanda (PL) também se manifestou contra a decisão. Em publicação nas redes sociais, ela divulgou imagens do momento em que Lula assina o veto, enquanto apoiadores entoavam gritos de “sem anistia”. A parlamentar convocou colegas a atuarem pela derrubada do veto quando a proposta retornar ao Congresso.
“Absurdo. Lula veta um projeto que fazia o mínimo de justiça ao Brasil, em um evento esvaziado e sem respaldo popular. Agora temos a obrigação de derrubar esse veto. O Brasil não aceita retrocessos de um presidente descondenado”, declarou.
Já o deputado Rodrigo da Zaeli (PL) concentrou suas críticas no público presente na cerimônia realizada no Palácio do Planalto, classificando o evento como um “fiasco” e uma “decepção de público”. Ele compartilhou vídeos que mostram o espaço com poucos participantes.
O deputado Nelson Barbudo (PL) classificou o veto como uma das maiores injustiças recentes. Segundo ele, mais de 800 pessoas já foram condenadas em razão dos atos, e ao menos 100 seguem presas, conforme levantamentos independentes.
“Hoje completamos três anos do 8 de janeiro. Em Mato Grosso, cerca de 80 cidadãos foram envolvidos nesse processo, muitos ainda sem sentença definitiva, pagando um preço alto, distante da proporcionalidade e da justiça”, afirmou.
Próximos passos
O veto presidencial foi anunciado durante cerimônia no Palácio do Planalto em alusão aos três anos das invasões às sedes dos Três Poderes, em Brasília. O evento reuniu principalmente integrantes do governo federal e apoiadores do presidente, que comemoraram a decisão.
Apesar do veto, o Congresso Nacional pode reverter a decisão presidencial. Para a derrubada do veto, são necessários 257 votos de deputados e 41 votos de senadores, em sessão conjunta do Legislativo.